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| Imagem: tom coe (Unsplash) |
Eu também acreditava no famoso Sonho americano: uma crença advinda de um tempo em que existia uma potência mundial sempre em crescimento. Um lugar onde a palavra prosperidade era quase um símbolo para o que eles chamam de América. Foi algo que se propagou no pós-guerra, uma esperança que se acendeu para quem buscava uma oportunidade tanto para fugir de perseguições políticas nos mais diversos países, como para os que estavam dispostos a trabalhar duro para ter um futuro e melhores condições de vida.
Entretanto, um dia essa imagem começou a ruir, pelo menos para mim. O primeiro choque ou decepção veio ao assistir a um documentário sobre o abuso sofrido pelas atletas olímpicas da ginástica artística durante dez anos. Para um país que desejava manter suas atletas no topo dos grandes pódios mundiais, ignorar os gritos de socorro dessas meninas inevitavelmente impactou em resultados a longo prazo. Além disso, provocou muito sofrimento às atletas e mostrou tanto as falhas da justiça do país, como a fragilidade moral dos que preferiram proteger os que foram cúmplices ao invés de proteger suas estrelas, jovens menores.
Depois, quando eu achava que estava vendo só mais um outro documentário sobre a indústria farmacêutica, descobri o quanto a vida das pessoas não tem importância para o estado americano ante o poder econômico desse segmento, que, contraditoriamente, se alimenta do adoecimento sistemático da população, fornecendo a cura e a doença. Algo que não acontece por acaso. Quando enxerguei o quanto eles fecham os olhos quando se trata da saúde do seu povo em nome do dinheiro, comecei a perceber que traçavam um caminho na direção do autodetrimento. Algo fadado a englobar as mais diversas áreas. E mais um pedaço da imagem ruiu.
Mas foi quando assisti a uma série sobre os alimentos naquele país, que sofri e pasmei com a verdade de que, todos os dias, em nome dos que detém a riqueza e a produção, a população se deteriora e a sua saúde é por fim totalmente desprezada, bem como a própria vida em si. Para que alguns continuem a ter dinheiro e poder, os que estão no topo não se importam que todos adoeçam ou que muitos morram precocemente. Hoje uma realidade no meio masculino daquela nação, comprovada por meio de pesquisas científicas. De acordo com o artigo na Revista da Associação Médica Americana, as taxas de mortalidade se tornaram crescentes entre crianças e adolescentes nos últimos anos, naquele país. E a origem do problema está na falta de saúde física e mental.
Nesse momento da história vivemos um estranho contexto onde o extremismo se destaca. O que havia sido varrido do planeta por meio de sangrentas batalhas com a morte de milhões de inocentes na Segunda Guerra Mundial retorna hoje. Diante dessas fatos, é inacreditável que a nação que acolheu as vítimas desse período esteja colaborando ativamente com esse retrocesso civilizatório. Digo isso porque os que foram em busca do sonho outrora oferecido ou mesmo "vendido", agora estão sendo expulsos, rechaçados, perseguidos, e vítimas mais uma vez. O próprio país, ou mais precisamente quem o representa, quer matar a ideia desse sonho nos que estão fora, mas para isso está destruindo também os sonhos de quem está dentro.
A soma de tudo isso me fez ter um outro olhar sobre o comportamento desse povo. Ter passado por lá e testemunhado os péssimos hábitos alimentares e ter visto pessoas extremamente obesas, como nunca vira antes, me conscientizou do quanto essa sociedade está adoecida de várias formas. Ante a reviravolta da história de uma nação que antes era símbolo de liberdade e oportunidades e hoje vive a realidade de estar sendo devorada por um capitalismo selvagem, só resta aceitar que o sonho americano acabou ou senão, agoniza. Como eles mesmos diriam "The dream is over".
04/10/2025
