Rastros de destruição

Um paraíso de trilhas antes da exploração

Ah! Os pequenos paraísos! Onde irão parar após sucumbirem à ganância dos homens? Estes lhes sugam o que têm de melhor e depois se vão. Essa tem sido a realidade de diversas cidades pequenas situadas em lugares cercados de beleza natural. Em geral, praias ou regiões campestres.

Os exploradores chegam e fazem suas construções, avançando contra a natureza. Desmatam e erguem edificações muito próximas das praias, ou poluem paisagens montanhosas, ocupando seus topos. Compram pequenos negócios que servem ao povo do lugar e os transformam em bares e restaurantes para visitantes ou veranistas.

Eles compram as casas dos nativos e fazem outras para frequentarem em finais de semana a fim de fazerem o que lhes privam em suas cidades. Suprimem o silêncio desses lugares, poluindo-os com sons agressivos aos ouvidos do povo local. Na sequência, levam a violência e espalham o desapreço ao meio ambiente que um dia os atraiu.

Ao longo do tempo, esses lugares vão perdendo sua beleza natural e parte do seu povo vai embora, porque não é mais o seu lar. No meu estado, por exemplo, estamos assistindo ao perecimento de duas cidades de praia e duas de campo, como resultado desse tipo de exploração.

Das praianas, uma está em franca decadência, após um dia ter sido tema de música e um lugar disputado por veranistas, cujas casas já valeram fortunas. Foi também referência turística e histórica. A praia antes lotada de bares, hoje expõe a revolta de um mar que cobra o que era seu, se chocando contra os muros de casas construídas sem nenhum cuidado ambiental. A outra, contaminada por problemas de cidade grande como a violência, falta de rede de esgoto e controle de doenças, esbarra na falta de vontade política e de iniciativa, jogando a sujeira para debaixo do tapete.

Das cidades de campo, uma já não é um lugar de descanso. Invadida por condomínios nada silenciosos e por grandes shows em feriados interioranos, hoje muitos dos que lá compraram ou construíram não suportam o agito de um lugar que, antes, já tinha sido um refúgio de inverno. A outra, considerada uma vila, sem muito espaço para suportar a fome da exploração imobiliária, rapidamente está sendo consumida pelo desmatamento e pela zoada provocada pelos sedentos por festas. Seu povo amedrontado tem se evadido e a sua beleza que só existia pela natureza exuberante está paulatinamente desaparecendo. Ela não tem nenhuma infraestrutura para suportar o excesso de visitantes nos períodos festivos e o impacto ambiental tem sido feroz.

Para esses lugares, o seu esgotamento é só uma questão de tempo. Sem os devidos cuidados, logo perderão o seu charme, sendo posteriormente abandonadas. E segue o passo. Os predadores se vão para recriarem todo o ciclo de destruição em outro lugar, sempre deixando seus rastros.

10/05/2025