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O assunto é tão esdrúxulo que fiz uma constatação que calha com essa premissa: concluí, após ouvir vários casos, que, quando o autor da traição tem um relacionamento com uma mulher popularmente dita como "valente", mais ousado é o modus operandi dele.
O motivo disso é a adrenalina, a emoção da proximidade do perigo. Arrematei essa teoria com um caso que considero um ícone do estilo. A primeira narrativa que me chegou sobre o marido em questão dizia que ele era um sujeito mulherengo. Eu, se fosse casada com a esposa do dito cujo, jamais olharia de lado. Mas ele era um traidor contumaz, um verdadeiro desafiante do perigo. A tal ponto que uma das namoradas morava tão perto que dava para ir a pé da casa dele à dela. E ainda ficava na janela, apreciando quem passava e cumprimentando os conhecidos.
Creio que tal ousadia alimentou sua confiança de forma que arrumou uma amante em outra cidade, e haja costurar desculpas para viajar e encontrar a amada. Isso aconteceu até o dia em que, morto de saudades da amante e sem conseguir encontrar uma justificativa para ir até lá, convocou um cúmplice. Era um amigo seu, o qual tinha muito mais medo da sua esposa do que ele. Sua função seria criar uma história em que ele precisaria do amigo para levá-lo a um enterro de um parente no interior do estado.
Teoricamente, o traidor estaria fazendo um favor ao amigo. E assim foram os dois em missão para socorrer um coração apaixonado. Ele só não contava com o tamanho da desgraça que o esperava. Não sabia que a amante tinha um namorado; este descobrira o duplo relacionamento e cometera um feminicídio. Foi um choque grande para aquele coração que insistia em não sair da adolescência. Então, o recém-viúvo, desolado e chorando copiosamente, pegou o caminho de volta para casa. Como disfarçou a viuvez após chegar, até hoje não sei.
Contudo, tem pior. Ouvi outra história que me impressionou pelo cinismo do traidor. Este enganou a esposa por mais de uma década, mantendo uma amante que era praticamente uma esposa suplente, com filhos e tudo. Para sua tristeza, a número dois caiu doente e faleceu. O viúvo, após o enterro, não conseguindo disfarçar a tristeza, terminou contando o motivo à esposa legítima. Esta, inicialmente, se revoltou e o expulsou de casa, porém, passada a raiva inicial, o aceitou de volta.
Entretanto, assim como há os viúvos inconsolados, existe também o traidor abandonado pela amante e inconformado. Este, antes feliz como um adolescente, ao cair das nuvens quando a amante o dispensou após um ultimato de exclusividade, teve a desfaçatez — ou falta de juízo — de suplicar à esposa, em lágrimas, que falasse com a ex-amante para ela reatar o relacionamento. É claro que levou um xeque-mate da esposa, que o colocou para correr.
Vá entender! Se fosse o contrário, esses Dom Juans, com certeza, perderiam o senso e cairiam em algum desvario. Geralmente querem morrer ou matar, ou mesmo se entregar à bebida para afogar as mágoas. Todavia, quando são "autores da obra", são verdadeiros artistas. A criatividade é ímpar — até o momento em que a amante, de alguma forma, os abandona. Nessa hora, a fantasia sai do script e o inesperado cessa a aventura. Haverá sempre esses personagens, mas a diferença é que hoje eles estão se tornando mais escassos, à medida que as mulheres estão mais atentas e não toleram esses comportamentos: ora imaturos, ora despudorados — certamente sintomas de um velho machismo estrutural.
08/11/2025
