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| Foto: Cristina Zaragoza - Unsplash |
É espantoso o quanto evoluímos rapidamente da capacidade de apenas fotografarmos com um celular para a possibilidade de filmarmos. Uma verdadeira revolução, um show da vida portátil.
Lembro de uma antiga vinheta de uma revista a qual dizia "Aconteceu, virou Manchete". Hoje essa chamada está mais atual que nunca, afinal, aconteceu, cai nas redes sociais e vira notícia. Algo tão à mão para a maioria, que coisas banais passaram a "viralizar" como se diz comumente nesses casos.
Por um lado, é positivo em muitas situações se gerarem provas para casos em que imagens filmadas apresentam a verdade de histórias nem sempre contadas com veracidade, como em um acidente ou crime, por exemplo. Por outro lado, nem sempre há benefício nessas imagens. Ninguém deseja ser alvo de filmagens a toda hora, como é o caso de pessoas públicas as quais querem ter também uma vida privada. Ou outros que não desejam ser expostos às redes sem seu consentimento.
Essas facilidades constroem e destroem uma imagem em uma rapidez antes inimaginável. Mas o ser humano, em geral, gosta de ser alvo de atenções e isso nos leva à questão dos quinze minutos de fama onde a maioria não desperdiça uma oportunidade para tanto. Sendo assim, os softwares de pequenos vídeos juntamente com as redes sociais se tornaram uma ponte para essa visibilidade. Ou seja, aquele ultrapassado ditado "Quer aparecer, pendure uma melancia no pescoço", hoje poderia ser "Faz um vídeo no TikTok"!
Mas mesmo com essa popularização da reprodução da vida alheia através do mundo virtual, não consigo me acostumar com os maníacos por exposição, os quais filmam suas vidas a cada passo ou respiro. Se no passado as pessoas se interessavam pela vida alheia via veículos de fofoca, hoje muitos entregam suas vidas ao mundo e se arriscam a serem ovacionados ou pichados a troco de curtidas ou coleção de seguidores.
Compartilhar a vida com pessoas do seu círculo pode ser salutar, mas não sei até que ponto se está preparado para o julgamento em praça pública. Vez por outra uma imagem ou palavra afeta uns e outros e a velha "boca do povo" não perdoa suas vítimas. Seja de uma nova forma ou em um novo modelo, mas com o mesmo efeito cortante.
Será que as novas gerações tão fragilizadas pela distância criada pelas redes sociais, conseguem viver com o tal "cancelamento" ou "fritura" instantânea de suas imagens? Avalio que ninguém está preparado para isso. Por este motivo, é preciso ter a exata noção do que uma cena ou uma palavra pode representar para o mundo, quando jogada na grande arena virtual. É preciso cuidar para não ultrapassar a linha tênue que separa o céu e o inferno das redes, nem sempre tão sociáveis.
