Como
foi o seu Natal? Não consigo evitar a ideia de que essa pergunta
inocente carrega em sua essência a potencial possibilidade de uma
resposta fora de sintonia com o espírito dessa festa.
É
verdade que o estrito sentido de se tratar de uma festa familiar, por
si só já é terreno fértil para frustrar essa comemoração. Afinal o
conceito dessa reunião de pessoas unidas pelo laço sanguíneo tem sido
deveras afetado pelas realidades vigentes.
Hoje
conheço várias famílias separadas pelas diferenças ideológicas e a
minha se inclui nesse rol. Partes de um todo agora esfacelado por
estranhas crenças não condizentes historicamente. Ou dito de outra
forma, simplesmente não fomos educados para isso.
Como
algo que vai se resumindo, estreitando, afunilando, a cada ano vamos
ficando mais esparsos. De um grande ninho, pequenos nichos trocam
fidelidades e Natais. O espírito dessa festa, elo imaginário que
abraçaria ramos de uma mesma árvore, já não consegue envolver os seus
galhos. É como tentar reunir folhagens de uma Castanhola que crescem em
direções opostas, braços abertos cujas mãos não se tocam.
Por
um outro lado, na hipótese da coisa chegar ao nível celular ou quase
isso, é fundamental olhar por um outro prisma porque é preciso
sobreviver, resistir. Sob essa visão, é possível abstrair o sentido
geral e buscar em nós mesmos o nosso Natal. É quando nos perdoamos,
fazemos as pazes com nós mesmos e nos tornamos nosso próprio amigo secreto. A partir desse reencontro, buscamos
compreender as fraquezas alheias e somos impulsionados a levar um pouco de esperança para
quem carrega algum tipo de vazio dentro de si, afinal, só compartilhamos,
no sentido bíblico, o que preenche o nosso coração. E você, qual Natal
viveu?
29/12/2024
