Cada qual com seu Natal

https://br.freepik.com
Como foi o seu Natal? Não consigo evitar a ideia de que essa pergunta inocente carrega em sua essência a potencial possibilidade de uma resposta fora de sintonia com o espírito dessa festa.

É verdade que o estrito sentido de se tratar de uma festa familiar, por si só já é terreno fértil para frustrar essa comemoração. Afinal o conceito dessa reunião de pessoas unidas pelo laço sanguíneo tem sido deveras afetado pelas realidades vigentes.

Hoje conheço várias famílias separadas pelas diferenças ideológicas e a minha se inclui nesse rol. Partes de um todo agora esfacelado por estranhas crenças não condizentes historicamente. Ou dito de outra forma, simplesmente não fomos educados para isso.

Como algo que vai se resumindo, estreitando, afunilando, a cada ano vamos ficando mais esparsos. De um grande ninho, pequenos nichos trocam fidelidades e Natais. O espírito dessa festa, elo imaginário que abraçaria ramos de uma mesma árvore, já não consegue envolver os seus galhos. É como tentar reunir folhagens de uma Castanhola que crescem em direções opostas, braços abertos cujas mãos não se tocam.

Por um outro lado, na hipótese da coisa chegar ao nível celular ou quase isso, é fundamental olhar por um outro prisma porque é preciso sobreviver, resistir. Sob essa visão, é possível abstrair o sentido geral e buscar em nós mesmos o nosso Natal. É quando nos perdoamos, fazemos as pazes com nós mesmos e nos tornamos nosso próprio amigo secreto. A partir desse reencontro, buscamos compreender as fraquezas alheias e somos impulsionados a levar um pouco de esperança para quem carrega algum tipo de vazio dentro de si, afinal, só compartilhamos, no sentido bíblico, o que preenche o nosso coração. E você, qual Natal viveu?
 
29/12/2024