Baixa o áudio, por favor!

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Depois do advento dos vídeos nas redes sociais, passar constrangimento por soltar o som no lugar errado e, às vezes, na hora errada, tem sido algo comum em diversos lugares, em geral públicos, e em situações inapropriadas. 

Por um estranho motivo, nós, humanos, ficamos incomodados quando, por exemplo, alguém está falando alto ao telefone e não sabemos o que o outro lado está dizendo. De forma parecida, mas ao mesmo tempo um pouco diferente, ficamos afetados quando alguém está assistindo a um vídeo e ouvimos o som deste sem que tenhamos escolha. Daí a necessidade de, eventualmente, se colocar uma placa alertando para só se usar o som do celular com fone de ouvido.

Um lugar onde encontrei um desses avisos foi na recepção da clínica, na qual faço fisioterapia e onde normalmente circulam muitos idosos. Estes, em geral, não são dados a usar apetrechos auriculares. Então, volta e meia, um entra em um vídeo no volume alto, mas não consegue controlá-lo e nem perceber que está incomodando. Nessa hora, os outros ficam se entreolhando sem ação e só resta apelar para a santa paciência, enquanto dura a zoada.

Entretanto, nem sempre o vídeo é do tipo que incomoda. Há os que, pela sua natureza, o dono do celular é capaz de desligá-lo, quando não acerta o botão do volume ou do pause. Daí, o grande constrangimento. O mais famoso dessa pegadinha é o "gemidão", sempre inesperado e infiltrado no meio de uma mensagem aparentemente inocente. Inicialmente, fica num volume baixo, só para obrigar a vítima a aumentá-lo e, consequentemente, passar vergonha. Isso aconteceu com um colega de trabalho, numa sala estilo redação de jornal onde éramos dezenas de funcionários. No desespero para fazer cessar aqueles gritos sensuais e exagerados, ele não conseguia abaixar o som. Enquanto isso, ríamos da sua agonia. Quando finalmente acabou, ele esboçou um riso nervoso. Suas bochechas coradas, no entanto, denunciavam seu desconserto.

Um conhecido meu também presenciou algo parecido, com a diferença de que aconteceu em uma sala de aula na universidade, e o professor não era dos mais amigáveis. A mensagem havia sido enviada propositadamente por um dos colegas de sala, porque a vítima não era das pessoas mais afáveis.

Lembro do relato de uma colega que, na pandemia, quase perdeu o juízo com o vício do pai em passar o dia olhando vídeos no Instagram num som alto. Como o idoso já não tinha uma boa audição e ainda vivia a fase da teimosia e do "Eu faço o que eu quiser", a filha e a esposa viviam a procurar um lugar para fugirem daquela distração unilateral, com o agravante de que não tinham para onde correr, dado o contexto da época.

Hoje, vez ou outra, me pego fazendo o papel da reclamante nos momentos em que o marido se empolga a assistir a longos vídeos, cujo som chega ao cômodo onde trabalho. O detalhe é que o Ipad, que utiliza para isso, perdeu o controle de volume e só tem o máximo e o mínimo. Então, para atalhar o problema ele luta com o seu tablet, abafando o som de alguma forma. E não adianta oferecer um headphone, porque receia prejudicar os ouvidos.

Cheguei à conclusão de que o hábito de assistir a esses vídeos é mais um vício que acomete a população, afora outros tantos. Se as redes sociais já têm sido questionadas pelos tantos efeitos que têm causado nas pessoas, esse é mais um elemento a ser considerado nesse novo mundo virtual e paralelo. Se por um lado diverte, por outro, tem sido uma fonte propagadora de futilidades. Muitas vezes a consumir o tempo útil das pessoas, algo valioso e irrecuperável. 

09/08/2026