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| Foto:Fauzan Ssaari - Unsplash |
O clima de Copa do Mundo deste ano de 2026 me fez lembrar de um período específico da minha adolescência, quando eu e meu irmão éramos companheiros nas horas das partidas de futebol. Não perdíamos uma e vibrávamos com os craques da nossa seleção que, a princípio, achávamos invencíveis.
Algumas vezes, torcíamos pelo mesmo time, outras vezes não. Meu irmão, geralmente, por uma questão de solidariedade, escolhia os mais fracos. Conforme a lógica, em geral, estes perdiam e ele ficava chateado a se lamentar. Isto fazia a minha mãe lhe lembrar em tom de graça: "Meu filho, você só quer torcer pelos fracos e oprimidos!". Infelizmente, naquele período não tive a alegria de ver a nossa inesquecível seleção de craques ser campeã. Ainda lembro do dia em que fomos desclassificados e chorei como uma criança. O meu irmão, que sempre aproveitava para zoar comigo quando eu dava motivo, não perdeu a oportunidade para caçoar das minhas reações na hora do meu desespero ante o testemunho do inacreditável.
Hoje, inspirado no tio, meu filho tende a preferir os menos favorecidos. Creio que este sentimento é fruto de uma tendência nossa, filhos de um país com complexo de vira-lata. Mas existem, também, aquelas seleções pelas quais torcemos, quando estão jogando com algum desafeto nosso como a Alemanha, por exemplo. Sem dó nem piedade, se for para ela ser desclassificada, somos torcedores fiéis do time adversário. Uma grande demonstração foi no jogo Alemanha X Paraguai nesta Copa de 2026. Praticamente podíamos dizer que éramos Paraguai desde pequeninos e o coração foi a 1000 com tantas idas e vindas e uma sofrida decisão por pênaltis. O futebol tem esse poder: enlouquece o torcedor.
São eventos como esses que mexem conosco de diversas formas. Fico impressionada como mergulhamos em um clima que até nos cega para outras realidades. É um esporte que mobiliza e desvia o olhar do mundo. E haja coração! Quando chega na fase do tudo ou nada, mais conhecida como "mata-mata", cada partida é um drama. Se do lado vencedor, há uma explosão de alegria por se ultrapassar uma fase, do lado perdedor, contrastam a tristeza, o desolamento e o choro estampado nos rostos. Tudo nos extremos.
Uma coisa é certa. Discorrer a respeito da Copa do Mundo, na tentativa de compreendê-la, é como chover no molhado. Então, para quem se envolve nesse momento, creio que o melhor é vivê-lo como quem testemunha mais um capítulo de uma história a se escrever de quatro em quatro anos para ser lembrada por uma vida.
03/07/2026
